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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A cor da minha saudade é azul

Aqueles lindos olhos azuis de uma tarde, ele não esquece, ela esqueceu, talvez. Era trabalho para ele, era mais um passeio para ela, era o verde do banhado, tons de amarelo em flores e tantos sonhos desconstruídos em uma noite fria e triste de julho.

São cores infantil, da doçura, meninas de queridas travessuras e risos inesquecíveis. São os pés descalços e caretas divertidas, é o bolo de cenoura e a água de filtro de barro, o copo da estrelinha e a certeza que a cor de rosa delas é a mais doce lembrança

Foram dias de tantas cores, que fez do cinza um tom diferente, que me ensinaram lições para tantas vidas, para tantas páginas em branco, aquela cor de sol de inverno luizense, aquela cor da beira do riacho, a cor do suco de abacaxi com hortelã...

A liberdade da alma, o querer bem, o amor, tem cores infinitas, mas a cor da minha saudades é o azul, o azul dos seus olhos.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O roedor de osso

Aquele que não contou as jabuticabas, que não contou as pitangas e ficou rindo do tempo. Virei o medíocre, aquele do ego inflado, invejoso que cobiça o talento alheio.

Meus projetos continuam absurdos, quero conquistar cada coração que conheço, quero abraçar o mundo e ditar regras. Escrever o manifesto do fim do mundo, sem ao menos saber escrever.

Continuo criando normas inúteis, registradas em atas que nunca serão lidas. Abraço minha imaturidade eterna, celebrando reuniões sociais, discutindo política como um rinoceronte tentando ser o presidente da merda nenhuma.

E agora, lamento de estar, de ser apenas o roedor de osso. Fico triste em perceber ser o alguém que tem poucas jabuticabas na bacia, que convive com pessoas que talvez sejam menos humanas, que vibram com minha vitória inexistente e celebram as injustiças e um mundo vil e corrupto.

O Roedor de osso que caminha ao lado do nada.

Que ama em fraude

O roedor de osso sem essência.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

O Encontro

Em uma noite ele recebeu um telefonema que nunca mais esquecerá... Do outro lado da linha uma voz que informava, sua jovem esposa acabará de falecer, atropelada na região central da cidade. Um soco no estômago, um ar seco e pesado, a cabeça rodando, desespero e nenhuma lágrima.

Olhou para o berço e viu sua filha de pouco mais de um ano... Não sabia como seria, como viver ou sobreviver sem sua companheira, a mulher, a mãe a parceira de vida.

Aprendeu na marra, das fraldas ao vestido da festa junina na escolinha, das bonecas, do amor, carinho, sorriso, do choro sentido de ambos pela falta que ela sempre fez... Ela cresceu feliz, com amigos e amigas, tios e tias, primos, primas, avós, e ele, o pai.

Ele não teve outra mulher, não conseguiu encontrar uma parceira de vida. Ela cresceu ainda mais, virou mulher, estudou, trabalhou, e mudou para perto do mar...

Ficaram distantes. Ele ligava, queria saber se ela estava comendo direito, se estava bebendo água, como era o dia, a cidade, se tinha namorado... Ela só pensava em trabalho.

Ele pedia para ela vir mais vezes pra casa, que sempre seria dela, mandava mensagens, comprava os ingredientes da sua comida predileta e muitas vezes ela não vinha. Tinha muito trabalho ou estava cansada.

Ele queria ir, mas ela pedia, “espera mais uma semana”...

Um dia ele foi... Perdido em pensamentos de saudades, morreu atropelado, como a companheira que já havia partido há anos.

Estava mais fácil ver a esposa que a filha.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Receita de Tristeza

Primeiro, lembre-se de dias sem sol, de lágrimas, discussões e mágoas.

Depois junte um monte de pensamentos negativos e olhares perdidos, mentiras e misture com bastante desilusão...

Pegue um copo americano e encha de cerveja barata, em outro, uma dose de cachaça industrial, da mais vagabunda. Um trago de cigarro paraguaio ao som de alguma música cantada por alguma dupla de música "sertaneja universitária" atual.

Acrescente também a fatura do cartão de crédito estourada, o desemprego de meses, a vizinha chata, a pregação religiosa, o ônibus atrasado, ser enganado e um tornozelo torcido...

Finalize com um domingo chuvoso, a goleada sofrida no clássico e nenhum analgésico para tomar antes de tentar dormir.

E passe mais uma noite em claro!

segunda-feira, 27 de março de 2017

Para vender sonhos é preciso fechar os olhos.

Olhos claros sofridos, lágrimas secas pela tristeza, melodia da solidão, noites de luta sem sorrisos, dias amargos de ódio.

Um copo de alguma coisa sem gelo, flertes falsos, cigarros com pó e uma dança forçada. Sexo com alguém, e outro, quantas vezes, não existe fim. Nenhum abraço ou bom dia, apenas um chuveiro e uma Coca cola. Não precisa de almoço, mas sono.

Dinheiro de batalhas tristes, cortina cinza, velha, rasgada. Um beijo sem gosto, um tapa no rosto e muitos mundos diferentes, realidade assustadora, o relógio não para, o mundo também. Não existe nenhum modelo definido, cada qual com seu odor, suas frustrações ou desprezo. A rua não escolhe rosto, o caminho é curto e amargo.

Beleza roubada sem poesia, vidas secas sem sol ou sertão, o telefone precisa tocar, ela aprendeu que para vender sonhos, é preciso fechar os olhos e esquecer qualquer forma de amor.